O que aprender
As nossas sessões privilegiam uma prática consciente, acessível e consistente — no sentido de arte, cultura, bem‑estar e atividade corporal — sem treino técnico desportivo. Explicamos, com clareza, o que se procura desenvolver com a prática regular e os benefícios associados a esse processo: melhor qualidade do movimento, coordenação, mobilidade, postura funcional, atenção e equilíbrio.
As orientações são feitas a partir da devida estrutura do corpo e da sua função natural, promovendo uma relação mais eficiente e confortável com o movimento no dia a dia. Os resultados variam de pessoa para pessoa e dependem da regularidade, do contexto e das condições individuais.
Quando existem rotinas, são apresentadas como referências práticas para organizar o corpo, a atenção e a qualidade do movimento — sem currículo de modalidade, sem avaliação, sem graduação e sem promessa de resultados. Estas sessões não constituem ato clínico e não envolvem diagnóstico, prescrição ou tratamento, nem substituem cuidados de saúde quando necessários.
No entanto, para quem deseja aprofundar rotinas com maior detalhe e exigência, esse estudo pode ser desenvolvido em ensino técnico, sob enquadramento de Direção Técnica, legalmente habilitado, permitindo trabalhar com maior profundidade e correção técnica, dentro do enquadramento apropriado.
Chen Taijiquan
O Tai Chi Chuan Oeste baseia‑se no Chen Taijiquan, tradição associada a Chenjiagou (Henan, China) e reconhecida como matriz histórica do Tai Chi (Taijiquan), a partir da qual outros estilos traçam a sua linhagem.
Esta referência é mantida através da ligação à Escola de Taijiquan de Chenjiagou (Chenjiagou Taijiquan Xuexiao / Chenjiagou Taijiquan School), sob a orientação do Mestre Chen Ziqiang, e, em Portugal, através da Chenjiagou Chen Taijiquan Xuexiao Portugal, sob a orientação do Mestre Rolando Martins, no âmbito da rede internacional dessa escola, garantindo, assim, um ensino estruturado, coerente e fiel à linhagem fundadora do Tai Chi Chuan.
Como se aprende (de forma prática e sustentada)
O que se aprende constrói‑se pela experiência direta: com o movimento consciente, muita repetição e acompanhamento orientado. O desenvolvimento respeita o ritmo, a experiência e as capacidades de cada praticante. Não se trata de um curso fechado nem de uma sequência rígida de níveis, mas de um caminho de desenvolvimento, assente na prática regular e na compreensão dos princípios fundamentais, consolidando uma base sólida antes do aprofundamento.
O que se segue descreve parte do corpo da prática tradicional associado ao Chen Taijiquan, que seguimos no Tai Chi Chuan Oeste. Nas sessões regulares, estes elementos são trabalhados de forma acessível e sem detalhe/correção técnica, privilegiando fundamentos, qualidade do movimento e continuidade. O aprofundamento com detalhe ocorre quando aplicável, conforme indicado mais abaixo.
Esta secção ajuda a compreender o que existe e como se organiza a prática ao longo do tempo, sem pressupor que tudo é trabalhado com o mesmo nível de detalhe em todas as sessões.
Prática fundamental
Os exercícios fundamentais estão sempre presentes ao longo do processo e constituem a base do desenvolvimento do Tai Chi Chuan.
Exercícios fundamentais:
Exercícios de enrolar o fio da seda
(Silk Reeling – Chan Si Gong – 缠丝功)
Desenvolvem coordenação, continuidade, estrutura e qualidade do movimento.
Meditação em pé
(Standing Posture – Zhan Zhuang – 站桩)
Trabalha alinhamento, enraizamento, estabilidade e atenção.
Estas práticas acompanham sempre todo o processo.
Formas (Taolu) — punhos e rotinas de mãos
As formas constituem um dos pilares centrais da prática, permitindo integrar estrutura, coordenação, respiração e intenção.
Formas de introdução
Criadas pelo Mestre Chen Xiaowang, estas formas introduzem os princípios essenciais da prática:
Forma de 9 movimentos
(Jiǔ Shì – 九式)
Forma de 19 movimentos
(Shí Jiǔ Shì – 十九式)
Forma de 38 movimentos
(Sān Shí Bā Shì – 三十八式)
Estrutura antiga — Laojia
Primeira rotina da estrutura antiga
(Old Frame First Routine – Lao Jia Yi Lu – 老架一路)
75 movimentos
Segunda rotina da estrutura antiga (Punho Canhão)
(Old Frame Second Routine – Lao Jia Er Lu – Pao Chui – 老架二路)
46 movimentos
Estrutura nova — Xinjia
Primeira rotina da estrutura nova
(New Frame First Routine – Xin Jia Yi Lu – 新架一路)
83 movimentos
Segunda rotina da estrutura nova (Punho Canhão)
(New Frame Second Routine – Xin Jia Er Lu – 新架二路)
71 movimentos
O estudo das formas realiza‑se de forma gradual, respeitando a maturidade física e a experiência do praticante.
Trabalho a dois — Tuishou
O Tuishou (推手) — Mãos que Empurram — desenvolve sensibilidade, escuta, enraizamento e aplicação de princípios em interação com outro praticante. Complementa o estudo das formas e integra‑se progressivamente na prática, de acordo com o contexto e a maturidade do grupo.
Armas tradicionais
O trabalho com armas faz parte do corpo de prática tradicional do Chen Taijiquan. Cada arma é entendida como uma extensão do corpo, desenvolvendo capacidades específicas como coordenação, precisão, intenção e estrutura.
Sabre (Dao)
Espada (Jian)
Lança (Qiang)
Leque (Shan)
Alabarda (Guandao)
O estudo das armas ocorre de forma adequada ao percurso de cada praticante, após o desenvolvimento das bases necessárias.
Quando aplicável (ensino técnico)
Quando a aprendizagem envolve progressão formal no estudo das formas, integração de tuishou e armas tradicionais como parte de um percurso de aprofundamento, essa componente é desenvolvida em ensino técnico, sob enquadramento de Direção Técnica.
Fora desse enquadramento, as sessões mantêm-se no âmbito não técnico, centradas em movimento consciente e educação corporal.
A escola representa, no nosso país, a linhagem fundadora do Taijiquan, através da sua 20.ª geração, sob a orientação do Mestre Chen Ziqiang, um dos mais destacados mestres contemporâneos e reconhecido internacionalmente como um dos principais expoentes do estilo Chen em todo o mundo.
Com esta ligação directa a Chenjiagou, cada praticante em Portugal tem acesso a um ensino genuíno, estruturado e fiel à essência do estilo Chen, perpetuando um património cultural vivo que atravessa gerações e continua a evoluir.